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Sem Graça
Por Fabio Sola 3 min. de leitura
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Sem Graça

Por Fabio Sola

— Quanto custa o benjamim?

— Filha meu não está à venda.

— Não, seu Esaú; benjamim, a tomada.

— Nem com, nem sem tomada. Benjamim é filha de Esaú e daqui não sai.

— Benjamim era filho de Jacó.

— Piada velha e sem graça. Quer comprar algo? Se não quer, vai embora.

— Esse é o humor que me faz voltar aqui! “T”, de tomada. O senhor tem?

— “D” de domada?

— “T”.

— “D”? O que ser isso?

— Adaptador para ligar várias coisas ao mesmo tempo!

— Sim, eu tem. De quantas pinos? Duas, três?

— Seu Esaú, deixa eu ver isso! O senhor tem tomada macho e fêmea de tudo quanto é pino.

— Esaú tem tudo. Esaú que faz. Artesanal.

— Isso está proibido, não está?

— Tem gente que ainda precisa.

— Eu sei! Eu mesmo preciso. Se eu soubesse teria vindo aqui antes. O senhor é demais, seu Esaú.

— Ninguém gosta de tomada com três pinos. Ainda vendo muita de dois.

— E o benjamim?

— Benjamin não vende.

— O “T”, seu Esaú, adaptador.

— Adaptador está aqui.

— O senhor sabe que o nome disso aqui também é benjamim?

— Benjamim filho de Esaú. Não adaptador.

— O nome disso aqui, seu Esaú, é benjamim. Só para o senhor saber, caso alguém pergunte aqui para o senhor.

— Brincadeira tem hora.

— É sério. O nome do sujeito que inventou isso aqui era Benjamim. Por isso tem esse nome.

— Benjamim tribo de Israel. Não adaptador e não inventor de nada.

— Reuben Berkley Benjamin. Esse era o nome do cara.

— Rubem irmão de Benjamin.

— O senhor tem dois filhos?

— Não. Rubem, filho de Jacó, também tribo de Israel.

— Então, o inventor do benjamim tinha nome de duas tribos de Israel! Olha só!

— Benjamim adaptador também.

— Isso, seu Esaú. É bom o senhor saber. Vai que alguém chega e quer comprar um benjamim.

— Benjamin não está à venda.

— Jesus Cristo, eu sei.

— Jesus, outra tribo. Tribo de Judá. Judá, irmão de Benjamin.

— Não irmão do Benjamin, seu filho, certo?

— Benjamim, meu filho, filho único.

— Quanto deu tudo?

— 12 reais.

— Bom dia, seu Esaú. Vi que o senhor seguiu meu conselho e colocou uma placa dizendo que tem benjamim à venda.

— Benjamin, filho de Esaú, está à venda.

— Que isso, seu Esaú?! Como assim?!

— Criou problema para Esaú. Estou vendendo.

— Que problema?

— Não interessa. Coisa de família. Criou dor e tristeza. Quer comprar Benjamin?

— Não, seu Esaú. Não acho correto o senhor vender o garoto.

— Fala baixo. Só quero dar um susta nele.

— O que ele fez de tão ruim?

— Fofoca.

— Não vou fofocar, é só curiosidade mesmo.

— Fofoca foi o que ele fez. Espalhou para vizinhança que esposa de Esaú tem 80 anos.

— Qual a graça da sua mulher?

— Não tem graça.

— Como assim? Qual o nome dela? E quantos anos ela tem, afinal?

— Não interessa.

— Claro, claro. Deixa pra lá. Que confusão, seu Esaú. Olha, espero que tudo se resolva para o senhor.

— Se não resolver, surra de chicote.

— Que isso, seu Esaú! O senhor não pode fazer isso!

— Também não pode tomada de dois pinos. E você comprou.

— É diferente, seu Esaú.

— Não se meta em vida de Esaú!

— Tá legal. Não volto mais aqui.

— Obrigado por ajuda com benjamin. Já vendi vários depois que coloquei a placa aí na frente.

— Não era para vender seu filho?

— Não. Esaú estava brincando.

— Que brincadeira sem graça seu Esaú.— Achei que você gostava de piada.


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